Briefing
Não é nome do projeto. É clareza sobre problema, público, escopo e porquê. Sem briefing, todo o resto é chute disfarçado de execução.
Antes de explicar as etapas, preciso te mostrar o erro que TODO mundo está cometendo agora: inclusive eu, depois de seis meses dentro da AIOX. A maioria das pessoas começa a dar comando pra IA sem todas as especificações. Sem briefing, sem detalhamento, sem quebra em tarefas. Aí vira o quê? Puxadinho atrás de puxadinho. Aquela mansãozinha bonita que você ia construir vira um Frankenstein com varanda enferrujada do lado, garagem improvisada na frente, banheiro no quintal. As coisas até continuam funcionando, esse é o pior. Continua funcionando, e você se acostuma com a porcaria. Quando o Pedro me apresentou o que ele estava fazendo, eu já tinha estudado um pouco de metodologia ágil. Eu já tinha algumas práticas. Mas o nível de detalhamento entre as etapas que ele fazia não tinha comparação. Não tinha comparação. E eu descobri hoje, depois de seis meses de AIOX, que tinha umas etapas que eu mesmo não tava fazendo direito. Eu. Que estou aqui ensinando vocês. Se eu não tava fazendo, imagina o tamanho do puxadinho que tá no projeto de quem ainda nem instalou direito. Por isso essa aula é literal sobre isso: as etapas que separam um app de verdade de uma mansão com sete puxadinhos. E pra deixar claro, isso aqui não é firula. É a fundação que vai impedir que tu fique consertando coisa quebrada o resto do ano.
Use este mapa para entender a sequência da aula antes de entrar nos detalhes.
como uma ideia vira puxadinho
Parece clara na cabeça, mas não foi escrita com escopo e restrição.
A IA começa a executar antes de entender o projeto.
Cada ajuste vira remendo porque a base não foi decidida.
O produto funciona, mas ninguém confia, ninguém escala e todo mundo tem medo de mexer.
Existem três etapas principais no desenvolvimento AIOX. Pouca gente faz. E dentro de cada uma, tem sub-etapas que ninguém faz, e é aí que o jogo vira.
Eu separei isso aqui em três etapas principais. Briefing, onde você entende o que quer fazer. PRD, que é o detalhamento operacional: separar isso por etapas, deixar tudo escrito antes de uma linha de código sair. E Stories, a quebra em tarefas executáveis. Só ter essas três já te coloca à frente de noventa por cento das pessoas que usam IA pra construir coisa. Mas o pulo do gato não está em ter as três. O pulo do gato é que dentro de cada uma existem sub-etapas essenciais. É no detalhe que mora o resultado. Quando você pula a sub-etapa de validação do briefing, o PRD nasce torto. Quando o PRD nasce torto, a Story nasce torta. Quando a Story nasce torta, o Claude Code constrói uma coisa torta, e ele constrói rápido, então você acaba com várias coisas tortas, rápido. Velocidade sem fundação é o que a gente chama de puxadinho industrializado.
Não é nome do projeto. É clareza sobre problema, público, escopo e porquê. Sem briefing, todo o resto é chute disfarçado de execução.
Separar trabalho por etapas, escrever objetivos, stack, decisões e trade-offs. O PRD dita tudo. Pular essa etapa é construir sem planta.
Cada Story é unidade executável com critério de aceite. É o que o Claude Code mastiga sem inventar moda. Sem Story, vira improvisação.
Caso que aconteceu hoje, dentro do grupo. A Fran descobriu errando, e o erro dela vale ouro pra você.
Vou contar o que aconteceu hoje. A Fran pediu pro Squad Creator pra criar uma apresentação. Pra quem ainda não viu, o Squad Creator é um porta-aviões. Ele é uma das peças mais complexas, mais densas, mais caras de operar da AIOX. Ele é literalmente um projeto dentro do projeto. E ela pediu pra ele fazer um aviãozinho de papel. Apresentação de slide. Coisa que tem squads específicos pra isso, mais leves, mais diretos, mais rápidos. A reação típica seria: "Fran, errado, não era pra usar esse." Mas é exatamente o contrário. Ela TESTOU. E ao testar, descobriu que existem squads mais simples pra isso. Descobriu na mão, no impacto, lendo a documentação depois que percebeu que tinha exagerado. Esse é o ponto. Testem. Vocês têm que usar pra poder ver o que não estavam usando do jeito certo. Não esperem descobrir tudo o que vão aprender aqui pra só depois começar: porque vocês vão cometer um erro muito grande. Comecem agora. Nem que vocês deletem e refaçam tudo do zero três vezes esta semana. O erro barato no ambiente local é o melhor professor que existe. Quem erra mais e mais rápido aprende mais do que quem tenta fazer perfeito da primeira vez.
Ela usou uma ferramenta grande demais para uma tarefa simples, e isso virou aprendizado útil para o cohort inteiro.
o erro da Fran como método de aprendizagem
Criar apresentação.
Usou Squad Creator, um porta-aviões para um aviãozinho de papel.
Percebeu que o sistema tinha peças mais adequadas.
O erro barato ensinou roteamento melhor do que uma explicação abstrata.
Se você está confuso agora, parabéns. É sinal de que está avançando.
Eu sei o que tá batendo em vocês agora. Briefing, PRD, Story, Epic, core-config, CLAUDE.md, DevOps, ambiente local, staging, produção. É muita sigla. É muita ferramenta. É muita coisa nova de uma vez. Calma. Respira. Eu vou repetir uma coisa que vocês precisam tatuar no avesso da mente. O primeiro estágio da compreensão é a confusão. Se tu tá confuso, parabéns. Tu tá no estágio que tá avançando. Se tu NÃO tá confuso, é porque tu nem sabia que existia Epic, Story, core-config e PRD: ou seja, tava errado e nem sabia que tava errado. Estar confuso é estar consciente da fronteira do que você ainda não domina. É o pré-requisito do aprender. Quem nunca se confunde nunca aprende nada novo: só repete o que já sabia. Então não fica esperando a confusão passar antes de agir. A confusão NÃO passa parado. A confusão passa testando, errando, lendo a documentação, fazendo a pergunta no grupo, vendo os outros errarem do seu lado. A confusão é movimento, não pausa.
Você não sabe que não sabe. Parece fácil porque ainda não viu Epic, Story, PRD, CoreConfig e gates.
Você percebe a quantidade de peças. É desconfortável, mas é avanço cognitivo.
Você testa, erra, lê, compartilha e converte dúvida em procedimento.
Quando algo parece confuso, quase sempre uma dessas três etapas ficou fraca.
A aula não quer reduzir Briefing, PRD e Stories a três palavras decoradas. Ela quer dar um diagnóstico. Quando a execução trava, pergunte qual camada ficou vaga. A resposta normalmente aparece rápido.
Não corrija direto no código. Descubra qual etapa anterior falhou.
Ninguém sabe explicar problema, público, escopo e restrição em linguagem simples.
A ideia existe, mas faltam etapas, decisões, stack e trade-offs.
A Story mistura várias entregas e não tem aceite verificável.
Voltar uma etapa cedo é barato. Remendar depois é puxadinho.
Seu tema de casa pra antes do próximo encontro: seis movimentos práticos pra acelerar a curva de confusão.
O que eu quero de vocês até o próximo encontro é simples, e desconfortável. Eu quero que vocês comecem a usar, mesmo errado. Quero que vocês quebrem coisa, deletem, refaçam, percebam que pediram pro porta-aviões fazer aviãozinho de papel, e contem isso pro grupo. Porque a abundância vai aumentando quando o conhecimento circula. Tudo que vocês descobrirem aqui: bug estranho, squad que não entendeu o briefing, PRD que ficou raso, Story que nasceu torta: joga no grupo. O insight de um vira atalho pros outros vinte. É inteligência coletiva.
Use sempre que uma ideia parecer pronta para executar.
briefing→prd→stories→execução local→compartilhar aprendizadoBriefing — Escreva problema, público, escopo e restrição.PRD — Detalhe arquitetura de produto antes de construir.Stories — Quebre em unidades pequenas com aceite claro.Local — Teste errado sem custo alto.Grupo — Converta o erro em conhecimento circulando.O esqueleto que separa mansão de puxadinho, para o aluno copiar antes de mandar executar.
01briefing:02problema: "Que dor real isso resolve?"03publico: "Para quem?"04escopo: "O que entra e o que NAO entra"05prd:06arquitetura: "Como o produto se organiza antes de existir codigo"07stories:08- id: "story-1"09entrega: "Unidade pequena com aceite claro"10aceite: "Esta pronta quando..."